Na volta do especial de domingo, Portal Flumibuss RJ mostra que soluções que já poderiam ter sido pensadas para ajudar os passageiros não passam de apenas um sonho, enquanto passageiro vê o sistema colapsar.
Foto: Gabriel Petersen Gomes, modificada com inteligência artificial.
A mobilidade urbana do Rio de Janeiro parece ter entrado em “modo avião”. Enquanto a atual gestão da SMTR deposita todas as fichas nas futuras licitações do sistema RIO como a solução mágica para todos os problemas, o passageiro continua enfrentando a falta de conexões que permanecem esquecidas em alguma gaveta da secretaria.
Para ilustrar o que a gestão atual da secretaria fecha os olhos, na volta das nossas reportagens especiais de domingo, decidimos utilizar a inteligência artificial para materializar o óbvio. Quatro soluções simples, propostas visuais de linhas que atendem a demandas reais e/ou melhoram as condições de operação, ignoradas em favor de um planejamento que parece desconectado das ruas.
O que poderia estar rodando hoje mas não está?
1) 919 – Pavuna x Maré indo até à Ilha do Fundão (Cidade Universitária)

Uma pequena alteração que poderia fazer toda diferença é o prolongamento da linha 919, que faz atualmente o trajeto da Pavuna até à Maré, até à Ilha do Fundão. Além de dar uma melhor estrutura à linha, já que atualmente faz ponto regulador no meio da Linha Amarela, em frente à entrada da comunidade Vila do Pinheiro, ainda possibilitaria que moradores de bairros ao longo do itinerário da linha, principalmente em Ramos e Bonsucesso, consigam ter acesso à Universidade Federal do Rio de Janeiro sem ficar dependente de linhas problemáticas da região, como a 901 (Bananal x Bonsucesso) e 915 (Aeroporto x Bonsucesso).
Outro ponto favorável ao prolongamento da linha é que onde a mesma para atualmente fica numa área conflagrada e que constantemente sofre fechamentos por medida de segurança. Com a mudança para o Fundão, em casos assim, pode-se pensar em itinerário alternativo, acessando a Ilha do Fundão pela Avenida Brigadeiro Trompovsky.
E, nesse hipotético prolongamento de itinerário, ainda pode-se pensar numa linha variante atendendo a Avenida Vicente de Carvalho entre o Carioca Shopping e a Praça do Carmo, já que no eixo só há uma linha que vai em direção à região da Penha (a 721), e a distância entre as estações Vila Kosmos e Pedro Taques do BRT Transcarioca é de 1,5km, o que dificulta o acesso ao sistema rápido de ônibus de moradores da região do IPASE e Praça do Viseu.
2) 949 – Rocha Miranda x BRT Penha, versão encurtada da linha 349

Solução pensada a partir do itinerário da linha 349 – Rocha Miranda x Castelo, a linha resolveria alguns problemas considerados “pontos cegos” no deslocamento, já que a gestão atual da secretaria, após a implantação do subsídio, a linha voltou a circular apenas em regime de turno único, isto é: de manhã circulando apenas no sentido centro, e à tarde/noite circulando apenas no sentido bairro.
A situação da linha ficou pior em Agosto de 2024, quando a Secretaria cortou o itinerário de volta da linha, deixando o funcionamento dela apenas no sentido Centro. Ou seja: o passageiro da linha consegue ir, mas voltar com ela é missão impossível. E se tiver apenas o cartão Jaé, piora ainda mais a situação.
Sem a linha, quem mora no eixo formado pela Ruas Cordovil, Bulhões Marcial, Itabira e Guaporé, entre Parada de Lucas e Penha Circular, e quiser seguir para o BRT da Penha, que é o caminho substituto mais natural para quem realizava o itinerário da linha para seguir para o trabalho, é obrigado a embarcar em um ônibus intermunicipal da Fábio’s, que custam R$ 6,70, aceitam apenas RioCard e, quem consegue usufruir do benefício do Bilhete Único Intermunicipal, se quiser seguir até o Centro, tem que desembolsar outra passagem cheia, já que não há cobertura para 3 modais, ao contrário do Bilhete Único Carioca.
3) 416 – Vila Isabel x Gávea-PUC (via Saens Peña / Túnel Rebouças)

Uma das demandas mais requisitadas por quem mora em Vila Isabel após o fechamento das empresas Real e Vila Isabel é alguma linha que cobrisse o itinerário da linha 439, que fazia a ligação do bairro com o Leblon, na Zona Sul do Rio, passando pelo Túnel Rebouças.
Várias linhas foram criadas e modificadas para cobrir os itinerários paralisados pelas duas empresas, mas algumas não tiveram alternativas criadas, e a 439 foi uma delas. Segundo o que apurou Portal Flumibuss RJ à época do fechamento, havia planos de a linha 416, que atualmente faz o itinerário entre a Saens Peña e a região do Horto, no Jardim Botânico, ser prolongada nas duas pontas: Até o Leblon, passando pela região da PUC, na Gávea, e até Vila Isabel.
Não se sabe, até hoje, o motivo pelo qual esse prolongamento não saiu do papel. Enquanto isso, quem precisa seguir para o Rio Comprido, por exemplo, saindo de Vila Isabel, precisa seguir até a Saens Peña e embarcar num ônibus da linha 410 por exemplo. Ou então, pegar a linha 435, que faz Grajaú x Gávea, mas por um outro túnel – o Santa Bárbara, e percorrendo um itinerário maior, via Botafogo, Copacabana e Ipanema.
4) São Cristóvão x Copacabana como alternativa à linha 463

Outra demanda que é muito requisitada por passageiros é uma linha que cobrisse o itinerário da linha 463, que saía do Metrô de São Cristóvão e seguia até a região da Siqueira Campos, em Copacabana.
Com o fechamento da Real e Vila Isabel, logo foi criado a linha 164 (Terminal Gentileza x Leme), como forma de cobrir a linha 163 (Terminal Gentileza x Copacabana), o que deixou quem dependia da 463 revoltado.
Sem a 463, a única alternativa para chegar no bairro do Humaitá, por exemplo, é utilizando o ônibus da linha 461 (São Cristóvão x Ipanema), descer no primeiro ponto após o Túnel Rebouças e ir caminhando. Já que para Copacabana, a linha 435 mencionada anteriormente também acaba sendo a alternativa, mesmo fazendo um caminho maior.
Porque não utilizar a mesma solução criada para cobrir a linha 460 (a 475 – São Cristóvão x Leblon) com a cobertura da 463? Ao invés da linha passar pela Leopoldina no sentido Copacabana, seguir pela Praça da Bandeira. E deixaria a Leopoldina sendo atendida pela linha 164.
A tecnologia consegue traçar rotas inteligentes em segundos, enquanto a burocracia da SMTR prefere escantear soluções imediatas sob o pretexto de aguardar novos contratos. É o contraste entre a eficiência digital e a inércia administrativa.
Este é apenas o primeiro capítulo de um diagnóstico visual que pretende percorrer diversas regiões da nossa cidade nas próximas semanas. O Rio é vasto, e os gargalos criados por itinerários “nada a ver” estão espalhados por cada zona e subúrbio.
Ainda há muitos itinerários que mereciam ser postos em prática, mas que ainda estão “na fila de processamento”. Graças à inteligência artificial, podemos expor os itinerários que quem está no dia a dia queria muito poder ver, mas que, por alguma questão, fica por isso mesmo.
Se a sua região também foi esquecida por esse planejamento atual, fique atento aos próximos desdobramentos desta série. Afinal, o debate sobre o transporte que queremos só ganha força quando a realidade das ruas atropela a narrativa oficial.
Esta matéria foi publicada com auxílio de inteligência artificial