Os testes com o ônibus vão até o final de Maio e fazem parte do programa RJ Eletromobilidade, que tenta eletrificar a frota intermunicipal, em meio à falta de infraestrutura necessária.
Foto: Gabriel Petersen Gomes
Quem utiliza a linha 100D, da Viação Mauá, que faz o trajeto Niterói x Candelária, atravessando a Ponte Rio-Niterói, desde o último dia 30 de Março tem um ônibus “intruso” em meio ao mar de ônibus prateados, cor predominante da empresa.

A empresa iniciou os testes com um ônibus elétrico da fabricante chinesa Ankai. O ônibus, do modelo OE-12, chama a atenção por ser de piso-baixo, o que é um fato muito raro entre as empresas intermunicipais. Possui 3 portas, sendo 1 para embarque e 2 para desembarque, ar-condicionado e não possui cobrador.
Dentre os destaques do ônibus, estão as baterias de alta capacidade, que permitem ter uma autonomia estimada de 350 quilômetros, o que é ideal para linhas metropolitanas. Por ser elétrico, o ônibus é totalmente sem ruídos, o que proporciona maior conforto auditivo aos passageiros.
A escolha da linha 100D se deve ao fato ser uma linha de curta distância e alta capacidade de passageiros, o que permite avaliar o comportamento do ônibus diante das causalidades do trânsito carioca.
A iniciativa ocorre em parceria com o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado (DETRO-RJ), através do programa RJ Eletromobilidade, e tem como objetivo avaliar a viabilidade da adoção de veículos elétricos na frota da empresa. Entre os principais pontos analisados estão a autonomia do ônibus, o consumo de energia e a receptividade dos passageiros durante a operação em condições reais.
O teste com o ônibus da Ankai tem previsão inicial de término no próximo dia 30 de Abril, podendo ser antecipado ou prorrogado pela empresa conforme a coleta de dados.
Iniciativa esbarra na falta de infraestrutura

No Rio, a Mauá é a segunda empresa que realiza testes com este modelo. A primeira foi a empresa Linave, que testou durante 30 dias no final de 2025 nas suas linhas. Mas para a iniciativa da eletrificação da frota ir adiante, é necessário preparar as empresas e a rede elétrica para aguentar a recarga de 50, 100 ou até 400 ônibus elétricos simultaneamente.
Uma das premissas da licitação do transporte público intermunicipal é que as empresas e/ou consórcios que se formarem utilizem apenas ônibus elétricos e/ou de energias menos poluentes, como o biometano. Mas será que o Governo do Estado, em meio à crise sem precedentes no âmbito político, terá cacife o suficiente para ajudar às empresas a avançar com o programa de eletromobilidade? É o que o tempo vai dizer.