Em uma estratégia arrojada e expansionista, a empresa consolida a atuação na Zona Oeste, adquirindo a empresa responsável pela ligação da Zona Oeste com o Centro pela Av. Brasil.
Fotos: Gabriel Petersen Gomes
Nos próximos meses, o transporte carioca e, em especial, a Zona Oeste passará por uma mudança significativa na estrutura dos grupos empresariais da cidade. A Sancetur – Santa Cecília Turismo, que no Rio opera sob a marca SOU Rio de Janeiro, fechou nesta semana a aquisição da Transportes Campo Grande. Ambas as empresas operam no Consórcio Santa Cruz.
A negociação envolveu tudo o que está relacionado à empresa: frota, garagens e funcionários. Membros da SOU Rio de Janeiro foram vistos nas garagens da empresa, em Santa Cruz e em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio, para conhecer as instalações da empresa.
Neste primeiro momento, a atual diretoria da empresa deverá ser mantida, para ajudar na transferência do quadro societário para a nova proprietária. Assim como o nome da empresa permanecerá o mesmo.
Com a aquisição, a SOU amplia sua área de atuação, cobrindo cerca de 50% do território da Zona Oeste da cidade.
Novos ônibus da SOU nas linhas da Campo Grande
Fontes ouvidas pelo Portal Flumibuss RJ afirmam que os novos ônibus adquiridos pela empresa e que já estão chegando desde o final do mês de Abril, sendo 50 na cor marrom e 10 na cor roxa, serão destinados já para as linhas da Campo Grande, de forma temporária.

Foto: Gabriel Petersen Gomes
A alocação destes ônibus terminará quando os novos ônibus da Campo Grande chegarem.
Investimento no Rio vem após desistência de São Paulo
A arrojada expansão da família Cheddid, tradicional no interior de São Paulo, no mercado carioca ocorre em paralelo ao seu recuo na capital paulista. A empresa, que chegou a ser cotada para assumir a operação emergencial de parte das linhas da Transwolff – alvo de uma operação do Ministério Público por suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração da organização criminosa PCC, a empresa optou por desistir da operação em São Paulo.
Não há informações concretas sobre o que levou a empresa a desistir da operação na capital paulista, mas a interpretação dos fatos aponta que há uma grande instabilidade jurídica, além de a transição ter sido associada à onda de ataques à ônibus que a cidade sofreu em 2025, com cerca de 1,5 mil ônibus apedrejados.
Ao abrir mão de entrar no complexo cenário da maior capital do país, o grupo parece ter redirecionado seu capital e esforços para o Rio de Janeiro, enxergando na reorganização do sistema carioca uma janela de oportunidade mais clara e segura para sua expansão nacional.
Ascensão meteórica da SOU no Rio faz frente à grupos tradicionais
A história da Sancetur no Rio de Janeiro começa em Julho de 2025, quando anunciou que adquiriu 80% da operação das linhas da Transportes Barra, do grupo Redentor. A estreia da empresa ocorreu em Outubro do mesmo ano, mesmo com a polêmica desativação (por parte da Prefeitura do Rio) de todas as linhas via Avenida Brasil que trafegam além de Coelho Neto (389, 394, 395 e 936).
A promessa inicial era da empresa assumir as linhas com 100 ônibus novos e 100 seminovos de até 3 anos, o que elevaria o padrão de qualidade delas, comparado com a empresa anterior. Na prática, o que se viu foi a empresa adquirir 160 seminovos, superando as estimativas iniciais.

Nesse intervalo, a SOU Rio de Janeiro também absorveu temporariamente linhas que pertenciam à Auto Viação Palmares, sendo elas: 770, 771, 796, 798, 804, 821, 822, 841, 869 e 893. A Palmares se prepara para deixar o sistema, uma vez que suas linhas originais fazem parte dos lotes já licitados e que passarão a ser operados pelas empresas Guaratiba Transportes (GTU) e Transportes Sepetiba (TUSE), ambas do grupo Comporte.
Agora com a assunção da Transportes Campo Grande, a Sancetur consolida a operação na Zona Oeste carioca, elevando o padrão de conforto e qualidade numa área onde, historicamente, há muitas reclamações sobre a qualidade da frota, a falta de conforto e manutenção, com constantes casos de enguiços e ônibus pegando fogo.
E além disso, posiciona a empresa como um dos novos players do novo sistema que a Prefeitura do Rio vem tentando implementar, para, enfim, dar a dignidade que os passageiros merecem, após anos de descaso.