Pela primeira vez desde o início do pagamento do subsídio, um consórcio fica sem receber valores do município, expondo ainda mais a crise do transporte público municipal.
Foto: Gabriel Petersen Gomes
No dia a dia de quem depende do transporte público no Rio de Janeiro, tornou-se comum encontrar ônibus das empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel, enguiçados no meio do trajeto, sem combusítvel, veículos visivelmente desgastados, com manutenção precária, além de atrasos e viagens suprimidas. Problemas que, para o passageiro, parecem isolados, mas que está trazendo consequências sérias para todo o Consórcio Intersul, no qual elas integram, e evidenciando ainda mais a crise no transporte público carioca.

Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Transportes revelam que, na segunda quinzena do mês de Novembro de 2025, o consórcio ficou sem subsídio por causa da crise nas duas empresas. O saldo do consórcio ficou negativo pela primeira vez desde quando o acordo para pagamento do subsídio às empresas em 2022. Foi registrado um saldo negativo de pouco mais de R$ 630 mil. E isso impacta a operação de todo o consórcio, que está dependendo, exclusivamente, da verba obtida das passagens em espécie ou RioCard, já que as passagens obtidas pelo Jaé, são repassadas ao município primeiro e depois pagas às empresas.
Destrinchando os valores
O consórcio, na segunda quinzena, conseguiu um subsídio bruto de R$ 4,9 milhões. Porém, houve pouco mais de R$ 5,6 milhões de desconto por três fatores: os descontos por falhas na operação (não cumprimento das faixas horárias, inoperância de linha, etc), recursos contestando valores e os valores complementares.

Na segunda quinzena de novembro de 2025, a Secretaria Municipal de Transportes manteve os descontos no subsídio do Consórcio Intersul por meio dos Valores Complementares, mecanismo ligado ao encontro de contas retroativo entre 2022 e março de 2025. O relatório aponta a aplicação de uma nova parcela de R$ 1,29 milhão, reduzindo o saldo negativo do consórcio de R$ 161,1 milhões (apuração da 1ª quinzena de Novembro) para R$ 157,4 milhões. Esses valores não se referem à operação da quinzena, mas à compensação de pagamentos realizados a maior em anos anteriores, o que segue limitando os repasses atuais enquanto o saldo devedor não for totalmente absorvido.
Enquanto outros consórcios seguem recebendo valores expressivos do município, o Intersul aparece como o único com saldo negativo. Veja o ranking dos consórcios que mais receberam verbas de subsídio do munícipio:
1) Santa Cruz- R$ 13.132.923,47
2) Internorte – R$ 8.694.006,19
3) Transcarioca – R$ 5.933.239,22
4) Intersul – R$ 632.335,87 NEGATIVO
A Mobi Rio não tem valores apurados e divulgados desde Setembro.
O documento completo, com todas as linhas detalhadas, pode ser lido aqui.
Novas linhas foram criadas para minimizar impacto da falta de ônibus da Real e Vila Isabel
Para minimizar os impactos da falta de ônibus da Real e Vila Isabel, que piora a cada dia, o município criou duas novas linhas na virada de ano para tentar melhorar os deslocamentos pelas linhas das duas empresas.
A primeira linha, a 128, liga o Terminal Gentileza ao Jardim de Alah, passando pela Avenida Paulo de Frontin, Túnel Rebouças, Rua Jardim Botânico, Shopping da Gávea, Metrô Antero de Quental, terminando a viagem na Avenida Afrânio de Melo Franco, servindo como alternativa para as linhas 110, 112, SV112 e 439.
A segunda linha, a 129, liga o Terminal Alvorada à Central do Brasil pela Avenida das Américas, com base na linha 548, e a partir de Botafogo, segue pelo Túnel Santa Bárbara e Elevado 31 de Março. A linha é uma recriação da antiga linha 317 (Central x Alvorada via Santa Bárbara).
Ambas as linhas circulam todos os dias, inclusive aos feriados, com intervalos de 30 minutos.
Além disso, outras alterações foram feitas em linhas da cidade para aliviar a pressão:

- 435 (Grajaú x Gávea), Auto Viação Tijuca: acréscimo de 27 viagens, o que resultou em uma frota de 24 ônibus no eixo
- 361 (Recreio x Castelo), Viação Redentor: passou a operar aos finais de semana e feriados, e nos dias úteis dobrou de 36 para 71 viagens.
O Portal Flumibuss RJ procurou a Rio Ônibus – representante do consórcio Intersul – e a Secretaria Municipal de Transportes para esclarecimentos, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno do contato. O espaço seguirá aberto para manifestações.
